Parar de pensar…

4 mar

Na verdade, eu tive um lapso para escrever ontem. Sentei-me na praça cel. pedro osório e comecei a escrever, como uma mensagem no celular…

Sabe, eu já experimentei muita coisa desde 2010. Experimentei o sucesso, a perda, a perda (de novo), a alegria, a exaltação, a liberdade, o amor intenso, a paz, o desconhecido, a dor, o desrespeito, a curiosidade,  novos pontos de vista, a família, o novo sentido de “amizade”… Enfim, muitas coisas.

Passei e passeei por muitas coisas e lugares. Até que eu parei. Eu fiquei imóvel. E isso me fez tão mal.. Eu comecei a remoer o passado e a esmaga-lo contra mim. Nossa, como foi ruim.

Até que eu parei de pensar. Aí sim! Isso me fez tão bem! Se tornou a melhor hora do dia (empatando somente com a hora de namorar).

Nesse instante eu havia parado de escrever, o sol intenso refletia em mim e não conseguia enxergar nem os botões do celular ao certo.

Mas prosseguiria assim, em frente ao computador, hoje…

Eu já havia experimentado por demais, mas por conseqüências alheias. Não pedi para perder as pessoas a minha volta, não pedi para sofrer e nem para ser feliz. Mas eu tenho uma missão. Questionável e misteriosa, ainda a desconheço… E tudo o que havia experimentado, nunca fora por meu desejo. Eu nunca havia pedido ou procurado algo que eu quisesse. Até que eu quis parar de pensar.

Na verdade é algo engraçado. Pois dizem que quando oramos conversamos com Deus (independente do “tipo” de Deus que você crê), mas o que eu fiz foi algo diferente. Eu silenciei. E mantendo meu corpo, minha mente, meu coração vazios, tranqüilos, em paz, em silêncio eu pude ouvir, na verdade, eu permiti que o Deus que eu creio se manifestasse. Pois por tanto tempo falei e nunca pensei no que teriam para me dizer.

E a verdade? Eu não ouvi nada. Eu senti a minha respiração ir e vir, com tanto silêncio juro que pude ouvir até meu coração bater… Eu estou desenvolvendo essa minha nova habilidade… Estou aprendendo a calar e a sentir, a aumentar minha percepção. A seguir orando, no entanto, dando espaço para ouvir. Para as demais pessoas esse silêncio se chama “meditar”, e acreditem isso faz bem.

Não quero fazer propagandas ou coisas do gênero, apenas compartilhar esse novo sentido que estou desenvolvendo e como isso tem sido benéfico a mim.

Por muito imaginei a vida, como em textos anteriores de reflexão, criei um positivismo que não o sentia. Creio que agora é a hora de aliar.

Creio que agora é a hora de parar de pensar e permitir que minha alma, meu corpo se aprofunde em mim. E que eu deixe de viver na superfície, com coisas e coisas, e que eu alcance no meu profundo aquilo que sempre fui e, talvez, nunca encontrei.

Fechando esse “capítulo”, uma vez uma amiga me emprestou a “fábula dos poços”, que ficou gravada em mim e de algum modo pretendo compartilhar (visto que não encontro na internet o texto original e nem nos livros de minha casa).

A começar, retomando umas aulinhas de português e literatura: vamos reaver o que uma fábula é. Trata-se de uma pequena narrativa que contém uma lição de moral, geralmente uma narrativa figurada além de um método fácil de abordar determinados assuntos. Comumente é direcionada para as crianças, por falar de questões éticas ou de “rumos para a boa sociedade”; assim inserimos nos nossos pequeninos lições sem que eles percebam. No caso da fábula dos poços, acredito que não há idade… Enfim, vamos a história.

Era uma vez a região dos poços. A terra dos poços, como preferirem. Onde tinha muitos, muitos, poços. No entanto, algo era muito estranho na região dos poços: os poços eram lindos demais por fora, mas o seu redor, tudo era seco, sem vida, não havia uma bela flor, não havia um pássaro que cantasse para os poços. Logo os poços tão cheios de água, e ao seu redor tudo seco e feio. Os poços eram cheios de si, cheios demais. suas bocas eram até tampadas, com tantas tranqueiras que inseriam em suas vidas.

Com o passar dos tempos, um jovem poço cansado de só olhar pro lado de fora e ver que tinha vizinhos lindos rodeados de terras feias, decidiu se fechar. Ele parou de olhar para fora. E adivinhem? Ele olhou para dentro dele. E assim foi indo, descendo, descendo, “como era escuro”, “que som agradável”, “o que é isso?”, “esse sou eu?” e seguiu descendo, descendo; até que em seu mais profundo, encontro a água, pura e cristalina. Como podia? Ele um poço cercado de coisas feias, tampado, ter algo tão lindo dentro de si? Algo que embelezaria sua vida? Como que ele nunca percebeu?

Foi então, que nosso jovem poço voltou a sua boca, sua superfície, e logo começou a se destampar, jogar fora tudo que dentro dele e ao seu redor lhe fazia mal. Nossa! Como ele era cheio, ele tinha tantas coisas… Mas se sentia tão vazio. Como ele podia ser assim, se ele era na verdade tão precioso por dentro? Sendo assim, ele começou uma limpeza: “pra quê ter tantas coisas, se ele era tão mais?”, e tudo que o cobria ele retirou. Depois disso, tirou lá do fundo, bem de seu interior que ele era e mostrou aos poços ao redor como ele era precioso. Puxou sua água e jogou, espirrou, explodiu ao seu redor e nele toda a sua verdadeira beleza: sua beleza de ser. Tudo ao seu redor mudou, então. A terra seca, ganhou graminhas e florzinhas e estas ganharam pássaros e bichinhos que viviam felizes em torno do poço lindo.

Os poços ao redor começaram a fazer o mesmo, pois perceberam que mesmo diferentes uma coisa os unia em suas belezas de ser, a água preciosa que os “abastecia” era do mesmo Senhor Manancial, e por isso independente de suas formas externas, por dentro todos eram lindos.  Alguns poços preferiram seguir tampados e se enchendo cada vez mais de coisas; outros tentaram mas era muito difícil se desapegar de tudo o que possuíam..

E à sua maneira a vida dos poços seguiu, porém muitos entenderam o quão importante era valorizar cada vez mais o que eles possuíam dentro de si e abdicar das coisas que só os enchiam e não acrescentavam em nada.”

Espero guardar estas reflexões em mim. Espero que estas reflexões sirvam para quem ler. E que comecemos juntos a nos procurarmos, mesmo que do nosso jeito. Pensamos muito, todo o dia, todo dia, toda a hora…paremos de pensar um pouco e vamos juntos buscar quem somos no nosso silêncio, na nossa paz.

Um bom feriado a todos!

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Uma resposta to “Parar de pensar…”

  1. Luana Rodrigues março 9, 2011 às 3:19 am #

    Entrei de curiosa e acabei me surpreendendo, se bem que de você eu já podia esperar!
    Sabe, estou passando por um momento um pouco complicado,sensivel,coisas do coração. Mexeu tanto comigo e me fez refletir, parar pra buscar o meu silêncio.
    Obrigada Bia, sem saber e talvez até sem querer, voce transformou meu dia e meu pensamento!

    Um beijão

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