o que passou…

12 jan

bem, cá estou. há tempos ansiava por um objaeto que pudesse carregar e escrever a qualquer instante, e compartilhar depois. (senao, poderia muito bem ser um caderno, né?!). enfim, um notebook. um pequeno suspiro de liberdade, porem, reconheço que ainda prefiro o computador. mas nesse instante “intimo” para escrever a solução é o notebook.

tentei por todos ultimos tempos de 2011, especialmente a ultima semana, fazer uma retrospectiva. na verdade, era como uma lição de casa..e de repente, roubando meu sono, 2011 começou a girar dizendo “eu nao acabei pra você, voce nao me concluiu.” para concluir e fechar, bem fechado, decidi escrever aqui. me perco nas anotações dos meus cadernos e a solução sobrou para o pc.

pretendo nao julgar o que passou, apenas ver que, ainda bem, passou.

2011 foi um ano muito intenso pra mim. em todos sentidos. não no sentido romantico, mas tbm nao no sentido mais dramatico. apenas intenso. enfrentei muitas dificuldades, mas consegui “rebolar”, ter o jogo de cintura, dar a volta por cima de muitos desafios que a vida me trouxe.

em janeiro de 2011, fugi. mentira. fui viajar. pra mim, a melhor fuga. por um tempo a minha cabeça se desprendeu dos problemas, as primeiras duvidas de filha de pais divorciados “quem vai ficar comigo no meu aniversario?” e coisas afins. pra muitos isso já é “fichinha”, pra mim foi demais pensar na resposta. conheci pessoas novas, lugares novos. o retorno teve seu preço, não com minha familia, com a familia de meu companheiro. conviver com a familia dele é realmente complicado, com o desenrolar do ano foi complicando mais ainda, às suas exceções. como diz minha madrinha “há mais motivos entre o céu e a terra, que a gente desconhece, pra explicar isso”. por isso,, talvez, o principal motivo seja o amor. só o amor pode suportar tanto. e a paciência, claro. antes da minha “fuga” passei uma temporada na praia, com minha mae e meus irmaos (mais a flia da amiga da minha mae). foi um tempo bom. percebi o quao diferente eu sou, e o quao chato isso pode ser pro restante. percebi que o silencio é um bom companheiro. e que efusividade é a melhor forma pra disfarçar qualquer outro sentimento. além de descobrir que cozinhar sem luz, pode abatumar o pão de queijo. mas isso foi um aprendizado a parte. mas mesmo assim, houve quem gostou do pao de queijo abatumado.

as memorias se dispersam, e alguns meses parece que foram nulos.

comecei um novo curso, num super dilema. e por muito tempo achei “aqui nao é o meu lugar”. especialmente depois de abrirem meu pulso no trote que eu nao quis participar e tirarem dois reais de mim para que eu pudesse sair da sala de aula; além da humilhação do microfone de pepino. eu odeio trotes humilhantes. ok, teve a parte do trote solidário. isso salvou. mas nao houve uma movimentação tao grande quanto pro trote da bebedeira. óbvio. enquanto isso, eu ia frequentemente no porto, visitar minhas amigas e saia de lá quase sempre segurando lágrimas. o pensamento “voce errou” era constante. mas percebi que era muito mais amiga delas fora da faculdade, do que lá dentro. e que faziamos muito mais coisas do que na faculdade. mas uma coisa seguia a mesma: a fumaça do cigarro delas sempre me acalmava. o barulho de cerveja abrindo, de mate sendo servido ou nenhuma voz e só o som da televisão com algum filme brasileiro que eu nunca ouvi falar, isso era a harmonia que eu necessitava. mas, sempre há um “mas”, e o tempo começou a nos espremer, pq apertar seria muito sutil. e o tempo foi nos levando. cada uma pro seu lado, pra sua atividade. isso dói em mim até agora.

de qualquer formas, tive que encarar minhas decisoes. e lá fui eu. eu optei por uma mudança e eu devia acarretar seus riscos e beneficios. lá eu estava. num lugar com muitos estranhos. aposto que eu era uma das mais estranhas. então, conviver com a estranheza, a minha estranheza, com uma solidão “inventada” e com tudo tão fora do lugar, tão contrário ao esperado; conviver com tudo isso não foi fácil. ações que nao faço questao de lembrar e que também não tinham minha profunda consciencia me regeram por uma boa parte do ano que passou.

tive medo do escuro; a ponto da minha madrinha me presentear com uma luzinha dessas de quarto de bebe. nao tenho vergonha de expor isso. vergonha eu tinha, na época, de encarar tudo, de me encarar. ter medo do escuro é uma das piores coisas que alguém pode sentir. ainda mais quando você já é “grandinho”.  tive muito jogo de cintura, pra sorrir e manter as coisas em aparente ordem. consegui fazer o aniverśario da minha mae, talvez a data que ela mais buscasse silencio e eu enchi a casa pra ver ela sorrir. no entanto, no outro dia, foi tanta realização ou foi tanto esforço “esconder” a festa até a hora certa, eu estava tão desgastada, magoada. a única coisa que fiz no dia seis de junho foi ficar em casa, com um abrigo. eu tinha um livro pra terminar o fichamento, mas nao tinha como. eu olhava para os lados e os lados me respondiam com o choro. eu olhava para dentro e eu chorava. eu nao senti fome, eu mal bebi meu chá – tipico das tardes de inverno. só que nao foi dia seis apenas. eu passei duas semanas assim. trancada em casa. e ai de quem falasse de mim ou falasse comigo. saia da cama, colocava abrigo, ia pro sofá, lia, saia do sofá, botava pijama e ia pra cama, e tudo rodou assim. a semana mais longa que eu já tive e triste.

deste ponto eu comecei do zero. como um bebe aprende a andar. lá fui eu. parece simples, mas não foi. não foi do nada. e na verdade não é do nada. com a ajuda de pessoas instruidas, com apoio da familia, dos amigos.. do jeito certo, ou nao, as coisas começaram a mudar. eu comecei a mudar. mudei o jeito de ver as coisas e de agir com elas. mudei muito. acordei pra vida. sabe a sensação de um mergulho? mais ou menos essa. você está lááá no fundão, no escuro, até que com muito esforço consegue ir pra superficie e seu pulmao seu enche de ar, te dá mais folego, seus olhos avistam uma paisagem clara, que no inicio aparenta distorcida, mas com o tempo voce consegue enxergar claramente o que é cada coisa.

corri atrás, peguei meus primeiros  exames de toda minha vida estudantil, aprendi que posso errar e sou humana. aprendi a buscar por fé, a ter ela em mim. aprendi que familia é muito mais (ou menos, depende da pessoa), mas que os amigos (sejam da familia ou nao) são os que te suportam até tu  teres tua base. reconheci muitos erros, reconheci muitos significados. 2011 foi muito intenso. muitas tentativas e alguns acertos. felizmente, enxergar quase tudo e compreender grande parte é uma “benção”. acima de tudo, viver é uma benção. e abandonar 2011, mesmo que tardiamente, será um bem maior. recomeçar meu ciclo, começar este novo ciclo que é 2012 e vivê-lo.

sei, cometi graves falhas no ano que passou. mas foi errando que aprendi e que ensinei também. entre vais e vens as coisas, felizmente, se ajeitaram e seguem rumando um certo caminho no qual eu tenho guiado e nao deixado me guiar.

obrigada por tudo, 2011. obrigada por tudo, seja voce quem for, obrigada.

boa noite.

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