Leviatã

15 abr

Leviatã é um famoso texto de Thomas Hobbes, onde o famoso “estado de natureza” do Homem é apresentado. Ao estudar sobre “tragédia” na faculdade, tive que procurar apenas um trecho referente a isso em toda essa obra. Didáticas a parte, não resisti ao texto em minhas mãos e acabei lendo mais do que o tema proposto. Segue um trecho que apreciei:

 

” O apetite, ligado à crença de conseguir, chama-se esperança.
O mesmo, sem essa crença, chama-se desespero.
A opinião, ligada à crença de dano proveniente do objeto, chama-se medo.
A coragem súbita chama-se cólera.
A esperança constante chama-se confiança em si mesmo.
O desespero constante chama-se desconfiança em si mesmo.
A cólera perante um grand…e dano feito a outrem; quando pensamos que este foi feito por injúria,
chama-se indignação.
O desejo do bem dos outros chama-se benevolência, boa vontade, caridade. Se for do bem do homem
em geral, chama-se bondade natural.
O desejo de riquezas chama-se cobiça, palavra que é sempre usada em tom de censura, porque os
homens que lutam por elas vêem com desagrado que os outros as consigam; embora o desejo em si mesmo
deva ser censurado ou permitido conforme a maneira como se procura conseguir essas riquezas.
O desejo de cargos ou de preeminência chama-se ambição, nome usado também no pior sentido, pela
razão acima referida.
O desejo de coisas que só contribuem um pouco para nossos fins, e o medo das coisas que constituem
apenas um pequeno impedimento, chama-se pusilanimidade.
O desprezo pelas pequenas ajudas e impedimentos chama-se magnanimidade.
A magnanimidade, em perigo de morte ou ele ferimentos, chama-se coragem ou valentia.
A magnanimidade no uso das riquezas chama-se liberalidade.
A pusilanimidade quanto ao mesmo chama-se mesquinhez e tacanhez ou parcimônia, conforme dela se
goste ou não.
O amor pelas pessoas, sob o aspecto da convivência social, chama-se amabilidade.
O amor pelas pessoas, apenas sob o aspecto dos prazeres tios sentidos, chama-se concupiscência
natural.
O amor pelas pessoas, adquirido por reminiscência obsessiva, isto é, por imaginação do prazer
passado, chama-se luxúria.
O amor por uma só pessoa, junto ao desejo de ser amado com exclusividade, chama-se a paixão do
amor. O mesmo, junto com o receio de que o amor não seja recíproco, chama-se ciúme.
O desejo de causar dano a outrem, á fim de levá-lo a 1’àmentar qualquer de seus atos, chama-se ânsia
de vingança.
O desejo de saber o porquê e o como chama-se curiosidade, e não existe em qualquer criatura viva a
não ser rio homem. Assim, não é só por sua razão que o homem se distingue dos outros animais, mas também
por esta singular paixão. Nos outros animais o apetite pelo alimento e outros prazeres dos sentidos
predominam de modo tal que impedem toda preocupação com o conhecimento das causas, o qual é um desejo
do espírito que, devido à persistência do deleite na contínua e infatigável produção do conhecimento, `supera
a fugaz veemência de qualquer prazer carnal.
O medo dos poderes invisíveis, inventados feio espírito ou imaginados a partir de relatos publicamente
permitidos, chame-se religião; quando esses não são permitidos, chama-se superstição. Quando o poder
imaginado é realmente como o imaginamos, chama-se verdadeira religião.
O medo sem se saber por que ou de que chama-se terror pânico, nome que lhe vem das fábulas que
faziam de Pan seu autor. Na verdade, existe sempre em quem primeiro sente esse medo uma certa
compreensão da causa, embora os restantes fujam devido ao exemplo, cada um supondo que seu companheiro
sabe pior quê. Portanto esta paixão só ocorre numa turba ou multidão de pessoas.
A alegria ao saber de uma novidade chama-se admiração; é própria do homem, porque desperta o
apetite de conhecer a causa.
A alegria proveniente da imaginação do próprio poder e capacidade é aquela exultação do espírito a
que se chama glorificação. A qual, quando baseada na experiência de suas próprias ações anteriores, é o
mesmo que a confiança. Mas quando se baseia na lisonja dos outros, ou é apenas suposta pelo próprio, para
deleitar-se com suas conseqüências, chama-se vanglória. Nome muito apropriado, porque uma confiança bem
fundada leva à eficiência; ao passo que a suposição do poder não leva ao mesmo resultado, e é portanto
justamente chamada vã.
A tristeza devida à convicção da falta de poder chama-se desalento.
A vanglória, que consiste na invenção ou suposição de capacidades que se sabe não se possuir, é
extremamente freqüente nos jovens, e é alimentada pelas narrativas verdadeiras ou fictícias de feitos heróicos.
Muitas vezes é corrigida pela idade e pela ocupação.
O entusiasmo súbito é a paixão que provoca aqueles trejeitos a que se chama riso. Este é provocado ou
por um ato repentino de nós mesmos que nos diverte, ou pela visão de alguma coisa deformada em outra
pessoa, devido à comparação com a qual subitamente nos aplaudimos a nós mesmos. Isto acontece mais com
aqueles que têm consciência de menor capacidade em si mesmos, e são obrigados a reparar nas imperfeições
dos outros para poderem continuar sendo a favor de si próprios. Portanto um excesso de riso perante os
defeitos dos outros é sinal de pusilanimidade. Porque o que é próprio dos grandes espíritos é ajudar os outros
a evitar o escárnio, e comparar-se apenas com os mais capazes.”

Leviatã-Hobbes

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