Um amigo de quatro patas

31 out

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(Potter, no aniversário do pai, 10/01/2012)

 

 

Se brincassem que esses últimos tempos era o fim dos tempos, meu lado pessimista não negaria. Foi o fim de muitas coisas pra mim. No entanto, eu consegui superar (com ajuda, claro) as dificuldades que  por mim passaram (e que por elas eu ultrapassei).

Sempre temos um amigo, alguma coisa em comum com alguém, um vínculo que não conseguimos explicar porque está ali, mas que existe, mesmo que não possamos ver. Não importa como é esse amigo, o que importa é o que ele é pra gente. Com o decorrer do tempo,  cresci e entendi a importância de um companheiro,  de dar carinho (e receber também), da fidelidade e da importância da amizade, fosse ela como fosse e com quem fosse.

 Em minha casa, constantemente tivemos cães como animais de estimação. Superestimação, até. E quando mais velha, entendi o significado de vida, morte, amizade, amor, entre outros. Não cem por cento, mas já entendo alguma coisa. E quanto mais entendemos sobre as coisas, por vezes, mais doloroso é. 

E esse é o caso do meu grande amigo Potter, um presente da madrinha do meu pai. O primeiro presente que ela deu pra ele em 40 anos. E com certeza não houve presente melhor que ganhar um companheiro. O Potter sempre ficava na volta da família, gostava de brincar e, especialmente, de se jogar nos pés da gente com a barriga pra cima pedindo carinho. O nome dele? Eu que escolhi, fervor do meu livro favorito da época, “Harry Potter”, claro. 

Com a separação dos meus pais, e consequentemente nosso (pequeno)distanciamento, o Potter quem seguiu com meu pai. Chamava atenção, ia junto no açude dar comida para os peixes, se relacionava bem com os outros bichinhos e, como sempre, se jogava nos pés do pai pedindo carinho e mostrando, acima de tudo, que ele tinha um amigo. Um amigo em quatro patas; mas um amigo fiel. Com a ocasião da separação, eu ainda ganhei o Simba (também um daschund); o qual cuido e crio com muito amor, como se fosse meu filhote (mesmo que muitos discordem do meu amor incondicional por um cão).

Porém, eu jamais vou conseguir pensar que algum amigo, seja canino, felino ou humano, possa ser substituído. Isso não acontece pra mim, pelo menos. E é difícil quando alguém que não é substituível  seja como for, é levado pelo tempo ou por força deste… Hoje, no entanto, é com enorme pesar que eu consigo assimilar melhor a informação da morte do Potter e anuncia-la. Ocorreu no sábado, por conta de um atropelamento, no Morro Redondo.

E sei que é só um blog,  só a Internet, mas queria deixar registrado, pelo menos para mim. Para que eu não me esquecesse que por ‘menor’ que ele fosse, também fez parte de mim, da minha história; mesmo um cão, também me ensinou coisas; mesmo pequeno, eu o via grande por seguir companheiro não importando o que acontecia; estivesse ele de castigo ou não, ele sempre amou todos nós com nossas imperfeições, erros, mancadas; eu sabia que eu podia não ser a mais legal, a mais isso ou a mais aquilo, mas para ele eu era, porque eu dava carinho pra ele e isso já bastava.

Saudades que ficam de todos os amigos.Ficam saudades agora de mais um amigo que se foi.

Potter, saudades.

 

 

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