vazia-preenchida-transbordada: a sexta-feira a noite e as mudanças do tempo…

5 ago

“a vida não é aquela que se vive, mas que se vai viver…”

 

eu podia ir dormir em silêncio. sem nenhuma manifestação. mas diante do que vejo, leio, presencio, vivo.., não quero manter o silêncio.

outrora li um texto que falava sobre as pessoas vazias, sobre as moças de saias, seus perfumes e decotes e o quão vazias eram. eu, muito crítica, e talvez até machista, concordei. (estava eu na “estabilidade” de um relacionamento, na época.)

bem, o tempo passou e eu me vi na situação das moças vazias de saias. (assim, agora, eu me enxergo naquela fase.) estava eu lá, com meu perfume, minha roupa bacana, tudo ok por fora. mas só por fora. e toda sexta-feira lá estava eu, bem maquiada, bem produzida, com o olhar vazio achando que seria ali o lugar que eu encontraria alguém pra conversar, pra tomar um café num dia frio, pra trocar músicas, livros e, quem sabe, até carinho.

(faço questão de contar o histórico, pois não quero ser hipócrita (nem comigo, nem com ninguém).)

e, novamente, o tempo passou. eu me entendi, me vi melhor. deixei de lado a carência afetiva e me apaixonei por mim. um amor intenso, profundo e respeitoso. como eu sempre quis e só eu poderia me dar. (as vezes com alguns tropeços, não posso negar, mas exatamente o que eu queria estava fluindo: estava me completando)

no entanto, lá fui eu, numa sexta-feira sair. e.. que tanto? vi meninos de barba e homens de cara limpa, mas ambos se embriagando e agindo como tolos, como se no copo tivesse o botãozinho que os tornaria corajosos e viris o bastante; vi as moças de saias, é elas existem, sim, e fiquei triste por ver que muitas são assim por opção e que outras estavam perdidas, como eu estava em outros tempos.por fim, vi que não me cabia mais aquilo. não me cabia ser mais uma. não me cabia ouvir caras falando enrolado ou puxando assuntos sem sentido. não me cabia entrar no banheiro feminino e ver mulherões chorando como menininhas por terem extravasado, por se sentirem vazias e verem o fulaninho com a fulaninha e essa reação em cadeia.

eu nunca fiquei tão completa, como no dia seguinte, no sofá da minha casa vendo filmes antigos, comendo nuggets e tomando coca-cola.  era nada. e nada de efusivo, extravagante, barulhento e sem noção, mas simplesmente me deixou tão bem.

eu não sei se estou ficando chata, “velha”, como preferirem. mas creio que chega um ponto que começamos a abrir mão de certas coisas em prol de outras. nos vemos crescendo e tomando decisões; “correndo atrás da máquina”, trabalhando, estudando, conquistando novos caminhos; e simplesmente, tudo isso, faz valer muito mais a pena do que a sexta-feira das pessoas vazias*.  não condeno quem vai na festa para se divertir, dançar e aproveitar com os amigos, apenas condeno o fato de que isso está tão raro e o simples fato de você estar em uma festa apenas com o intento de se divertir o torna um e.t.

eu podia ter me mantido em silêncio, mas sigo crítica e (nossa!) com opinião própria. percebo que cada vez mais eu me distancio de “padrões” que outrora, vazia, me encaixei e que, infelizmente, são padrões de se expor, de ter, e não de ser e sentir; percebo, também, que mais vale uma boa roda de conversa do que o som estridente de uma música sem conteúdo; mais vale os momentos que tenho offline e o quanto tê-los é muito mais prazeroso do que compartilhar numa rede um sorriso que, talvez, eu não estivesse disposta a dar. percebo que o tempo nos faz amadurecer e, na minha situação, me torna introspectiva; mas por sorte (ou não)  permite-me avaliar o que vivi, o que vivo e as lições que posso levar para crescer e evoluir.

*aparentemente vazias porque, na verdade, elas não estão vazias, estão incompletas; buscam algo, seja no copo ou seja em outro alguém que as complete. mas reitero, o ideal é que nos transborde, que sejamos suficientes para sermos completos apenas com nosso amor próprio e que o ‘outro’ não nos invada, não nos complete, mas nos transborde.

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