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22 nov

Eu percebo uma serie de descrentes no amor.

O que torna Romeu e Julieta tão mais romântico do que a menina suicida-desiludida do facebook? A questão da poesia e como ela foi contada? Sério que é só isso?

Não meus caros, ao ler a notícia uma amiga me disse “ah,não, né! pelo amor!”. Na hora eu comentei, com meu humor tosco, para variar, apenas: “uma história de amor melhor que Crepúsculo”.  Ok, eu fui ácida o suficiente no meu comentário, mas me dei ao luxo de refletir (e expor) sobre o que eu percebi na nossa conversa.
Nao acreditamos no amor mais. Na nova epoca do amor. Queremos romances e historias megalomaniacas. Queremos flores, chocolates, cafunes e andar de maos dadas. Tudo isso sendo apenas um bando de pamonhas. Sim, um bando de pamonhas, panacas. Descrentes do amor, descrentes das novas possibilidades, descrente do novo. Essa nova epoca nao nos pertence. Corrijo: ela nao pertence ao amor. Somos secos, frios, vazios, incredulos. E quando finalmente alguem ama a ponto de nao suportar e perder a vida essa pessoa, sim, é ridicula! Somos gozadores dos amores de outrem, no entanto buscamos para nossas vidas historias de amor que só existem nos livros. “A menina foi alem, meu bem.” Essa é a verdade, ela ultrapassou o limite dela ao amar, ela foi alem dela. Perdao, mas ela afrontou ela mesma em nome de algo que, ao menos na poesia, é muito maior e que a cada dia que passa perdemos a esperança : o amor.
Essa jovem foi como uma gota em meio a tempestade caotica da atualidade, no entanto, uma gota de esperança. Ainda ha pelo que morrer, ainda ha amor pra se viver.

Oquidão

3 out

Bem, há dias tenho pensado (e só pensado) em atualizar, mas é aquela velha desculpa do “sabe como é… tenho muitas coisas para fazer.. uma hora vou te visitar… blá-blá-blá” e nunca nada acontece. Mas eu andei pensando há dias no que escrever aqui. E até criei um neologismo pra dar nome a esse texto:  “Oquidão”, do meu dicionário, que deriva de oco,  vazio, sem nada (como tem rouquidão, agora tem a “oquidão”).

Inicialmente, eu ia falar sobre o vazio das pessoas, o sorriso convencional, o brilho inexistente, o anseio por desistir, a vontade do egocentrismo, a “oquidão” das relações, de forma generalizada…

No entanto, devido aos acontecimentos dessa semana, senti uma necessidade maior de falar sobre as pessoas. O vazio que elas nos deixam, o quanto algumas relações não possuem “oquidão” e como nós ficamos com esse sentimento quando elas se vão.

No decorrer desse ano tive perdas, como muitas pessoas tem em suas vidas. Perdi familiares, vi a família se dividir…Perdas de várias formas, mas como já escreveria um livro, Lya Luft chama de “Perdas & Ganhos” (um ótimo livro, por falar nisso, recomendo!).

Essa semana vi alguém ao qual amo e admiro muito sentir, novamente, a dor da perda. Minha pudim, amiga de sempre, de fé, a quem mencionei no outro post, até. Não vou expor ela, mencionar nomes, nada… Cada um sabe de si, acho que não é o momento disso, só. Enfim, vi minha melhor amiga, a  pessoa que, mesmo não vendo mais com tanta frequência, sentir dor. Senti mais dor ainda. Você perder alguém/algo, parece que é superável. Mas ver quem você ama perder, parece que dói mais, pois você não tem como mudar. Afinal é a vida.

Queria apenas falar do vazio que as pessoas nos deixam quando partem, do quão bom é viver a vida, aproveitar as pessoas mais velhas e sua sabedoria, aproveitar as mais novas e aprender com sua vivacidade. Saber viver, entender as relações, entender que o mundo não é só o que vemos, é mais do que tudo isso, é um circuito de relações, um fluxo imenso de emoções, são vidas, pensamentos… As lembranças em nós são o mais importante e devemos (não, nesse caso não “podemos”, DEVEMOS!) aproveitar intensamente tudo! Sei que isso aparenta papo de fim de mundo e tudo mais, “viva hoje como se não houvesse amanhã”, mas é praticamente isso. Quando as pessoas falam que a vida é curta e passa rápido, mesmo que se tenha quase 90 anos, é verdade. Há muito o que se fazer e nunca vai parecer o bastante tudo o que já fizemos. Mas deixo a mensagem: “vale a pena tentar”. Cada um do seu jeito, seja quieto ou extremamente extrovertido, cada um sabe a forma de agir; o essencial é não deixar a vida passar, é não sentir o tempo escapar entre os dedos e não aproveitar, simplesmente isso. A vida é  feita de momentos.

Desejo a todos uma boa semana, uma reflexão sobre a vida e que vivam! (não apenas existam!)

Para não deixar o silêncio das palavras, uma simples e adorável música: