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Cansados

12 nov

E percebo que estão todos cansados. Entediados. Resmungando.

Vejo a rebeldia de uma multidão de “ajustados”, cansados de estarem cansados.

Uma legião que se adapta para não corresponder ao que veio, mas para ser o que os demais pensam.

Reclamam, reclamam, falam sem parar; escrevem sem parar; mas não respiram.

Adaptam-se a mediocridade alheia, abafam o som de suas vozes, vestem-se e sentem-se como todos os outros.

Abraçam o desejo alheio de forma que torna-se seu desejo.

Esquecem de viver. De fazer o que vieram fazer. De respirar, pensar, amar, sentir, sofrer.. como uma única pessoa, exclusiva, inédita, especial.

Reclamam, usam o termo da moda, excluem os sentimentos, banalizam as relações, vulgarizam as sensações.

Fecham-se portas e ouvidos. A legião dos cansados se diz sem oportunidades, sem uma chance. Mal sabe eles o que é a oportunidade que procuram! Estão cansados para descobrir…

Querem uma nova chance?Acordem no novo dia, respirem fundo conscientemente e desfrutem da vida que receberam!

Mas, ora bolas! Crianças de 10 a 100 anos cansadas, desapegadas da vida!

Ninguém precisa ter o super gênio da criatividade, nem ter todas as respostas. Ou acertar sempre e jamais se decepcionar.

Não precisa saber sobre o que vai ser o que vai acontecer agora ou depois.   Não há a necessidade de saber o que terá pro almoço antes de  prepara-lo!

Não precisa escrever só em prosa, se seu coração manda poesia.  Não precisa de nada disso!

Os cansados esperam algo que não sabem. Mas estão tão cansados de esperarem!

Ah! A legião dos cansados! Volta e meia, eles me abraçam. As vezes eu resisto; outras vezes eles me puxam tão fortemente, que reconheço não conseguir força o suficiente para soltar. E para me recuperar depois de um abraço deles? Noossa.. como é demorado, como é difícil. Afinal, eles me deixaram tão cansada!

Felizmente, a situação de conformidade dos cansados não me envolve tão severamente. E deixo a dica aqui, cansados: precisam de ajuda? procurem-na; querem um sorriso? vão para a frente do espelho e “xiiiiiis”, sorrisão no rosto na frente de vocês!; não sabem o que estão fazendo? quem sou eu para dizer o que deve ou não ser feito, é certo ou errado? Vivam, meus queridos! Só assim vocês saberão!

Afirmo, de peito aberto, eu não sei o que estou fazendo, não sei o que procuro, não me “achei” ainda! No entanto, mesmo com meus erros e pesares, em momento algum serei capaz de baixar a cabeça e desistir de mim. Não importa em que posição eu estou no meu pódio.  Me importa, realmente, é que alguma coisa irei aprender, algum conselho me servirá, algum olhar pode chamar minha atenção, um minuto pode fazer com que eu mude minha atitude, pode fazer mudar meu dia. Me importa o fato de estar aqui, viva, forte, e dentro do possível, feliz, de bem com a vida;  o fato de reconhecer o quão importante é esse ar que respiro, quão importante é estar aqui, me desafiando a viver mais um dia, sem saber como ele será.

Legião dos cansados, respirem fundo e amem vocês próprios. Vocês não são fracos ou fortes demais. E não respondam “só estamos cansados”, pois terei que dizer a vocês que “vocês só estão vivos!”, e isso não é muito maior?

 

 

Oquidão

3 out

Bem, há dias tenho pensado (e só pensado) em atualizar, mas é aquela velha desculpa do “sabe como é… tenho muitas coisas para fazer.. uma hora vou te visitar… blá-blá-blá” e nunca nada acontece. Mas eu andei pensando há dias no que escrever aqui. E até criei um neologismo pra dar nome a esse texto:  “Oquidão”, do meu dicionário, que deriva de oco,  vazio, sem nada (como tem rouquidão, agora tem a “oquidão”).

Inicialmente, eu ia falar sobre o vazio das pessoas, o sorriso convencional, o brilho inexistente, o anseio por desistir, a vontade do egocentrismo, a “oquidão” das relações, de forma generalizada…

No entanto, devido aos acontecimentos dessa semana, senti uma necessidade maior de falar sobre as pessoas. O vazio que elas nos deixam, o quanto algumas relações não possuem “oquidão” e como nós ficamos com esse sentimento quando elas se vão.

No decorrer desse ano tive perdas, como muitas pessoas tem em suas vidas. Perdi familiares, vi a família se dividir…Perdas de várias formas, mas como já escreveria um livro, Lya Luft chama de “Perdas & Ganhos” (um ótimo livro, por falar nisso, recomendo!).

Essa semana vi alguém ao qual amo e admiro muito sentir, novamente, a dor da perda. Minha pudim, amiga de sempre, de fé, a quem mencionei no outro post, até. Não vou expor ela, mencionar nomes, nada… Cada um sabe de si, acho que não é o momento disso, só. Enfim, vi minha melhor amiga, a  pessoa que, mesmo não vendo mais com tanta frequência, sentir dor. Senti mais dor ainda. Você perder alguém/algo, parece que é superável. Mas ver quem você ama perder, parece que dói mais, pois você não tem como mudar. Afinal é a vida.

Queria apenas falar do vazio que as pessoas nos deixam quando partem, do quão bom é viver a vida, aproveitar as pessoas mais velhas e sua sabedoria, aproveitar as mais novas e aprender com sua vivacidade. Saber viver, entender as relações, entender que o mundo não é só o que vemos, é mais do que tudo isso, é um circuito de relações, um fluxo imenso de emoções, são vidas, pensamentos… As lembranças em nós são o mais importante e devemos (não, nesse caso não “podemos”, DEVEMOS!) aproveitar intensamente tudo! Sei que isso aparenta papo de fim de mundo e tudo mais, “viva hoje como se não houvesse amanhã”, mas é praticamente isso. Quando as pessoas falam que a vida é curta e passa rápido, mesmo que se tenha quase 90 anos, é verdade. Há muito o que se fazer e nunca vai parecer o bastante tudo o que já fizemos. Mas deixo a mensagem: “vale a pena tentar”. Cada um do seu jeito, seja quieto ou extremamente extrovertido, cada um sabe a forma de agir; o essencial é não deixar a vida passar, é não sentir o tempo escapar entre os dedos e não aproveitar, simplesmente isso. A vida é  feita de momentos.

Desejo a todos uma boa semana, uma reflexão sobre a vida e que vivam! (não apenas existam!)

Para não deixar o silêncio das palavras, uma simples e adorável música: